Moinhos de maré e indústria no Barreiro

O Barreiro é conhecido pelo seu papel na margem sul do Tejo, onde fornos reais cozeram o biscoito das viagens dos Descobrimentos. Continue a ler e descubra os moinhos de maré do século XVIII, o primeiro troço ferroviário a sul do Tejo e as indústrias da cortiça e química.

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O Barreiro fica na margem sul do Tejo, a "Outra Banda" que durante séculos abasteceu Lisboa de vinho, lenha, madeira, sal, farinha e peixe. O município descreve como excecional o seu papel na logística dos Descobrimentos, entre os séculos XV e XVII.

O Complexo Real de Vale de Zebro, gerido diretamente pela Coroa, tinha 27 fornos de cozer biscoito, armazéns de trigo, cais de embarque e um moinho de maré de oito moendas, o maior da região. A sua origem deverá remontar ao reinado de D. Afonso V e, em conjunto com fornos em Lisboa, fabricava o biscoito para as expedições marítimas portuguesas. Este trabalho assentava também em pessoas escravizadas trazidas pela Coroa, e em 1553 existia na Igreja de Nossa Senhora da Graça, em Palhais, uma confraria de homens negros. Parte do antigo edifício, danificado pelo terramoto de 1755, acolhe hoje o Museu do Fuzileiro. Na Mata Nacional da Machada, um forno de olaria datado de entre 1450 e 1530 produzia louça de uso caseiro e formas de purga do açúcar destinadas aos engenhos das ilhas. O município liga também esta terra a Álvaro Velho, autor do relato da viagem de Vasco da Gama à Índia.

O município aponta os moinhos de maré como exemplos da proto-indústria do século XVIII: o Moinho de Maré do Braamcamp, Moinho de Maré de Coina, Moinho de Maré do Duque, Moinho de Maré Grande, Moinho de Maré de Palhais e Moinho de Maré Pequeno, hoje centro interpretativo. A abertura do primeiro troço ferroviário a sul do Tejo, entre o Barreiro e Vendas Novas, em 1861, deu início a um longo surto industrial. A indústria corticeira começou em 1865 e, a partir de 1907, as indústrias químicas de Alfredo da Silva fizeram do Barreiro um grande complexo industrial ao longo do século XX.

O município aponta, entre os testemunhos locais dessa época de expansão, a Igreja de Nossa Senhora da Graça, em Palhais, Monumento Nacional desde 1922, e o portal manuelino da antiga Ermida de São Sebastião.

A cerveja artesanal no Barreiro ainda é uma raridade, o que torna a procura de um copo local parte da aventura. Depois de um passeio pelos antigos moinhos de maré, pergunte por algo acabado de fazer.

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Perguntas frequentes

O Barreiro fica na margem sul do Tejo, em frente a Lisboa, na chamada 'Outra Banda'. Durante séculos abasteceu a capital de vinho, lenha, madeira, sal, farinha e peixe, e o município descreve como excecional o seu papel na logística dos Descobrimentos, entre os séculos XV e XVII, ao serviço da Coroa.

Cozia o biscoito para as expedições marítimas portuguesas. Um complexo real gerido pela Coroa tinha 27 fornos, armazéns de trigo, cais de embarque e o maior moinho de maré da região, e o trabalho assentava também em pessoas escravizadas. Parte do complexo acolhe hoje um museu dos fuzileiros, com visitas por marcação (210 927 288).

São moinhos movidos pela subida e descida da maré, que o município aponta como exemplos da proto-indústria do século XVIII. O município enumera seis moinhos no concelho, e um deles funciona hoje como centro interpretativo, onde os visitantes podem perceber como estes moinhos trabalhavam junto ao rio.

O ponto de viragem foi 1861, com a abertura do primeiro troço ferroviário a sul do Tejo, entre o Barreiro e Vendas Novas. A indústria corticeira começou em 1865 e, a partir de 1907, as indústrias químicas de Alfredo da Silva fizeram da terra um grande complexo industrial ao longo do século XX.